Deus e a Criação
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Aula revisada em 08/2001

"No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas" - (Gênesis, cap. 1 - 1 e 2).

A OBRA DE DEUS

Desde o tempo em que a humanidade vivia em cavernas, o homem admira-se perante a grandiosidade do Universo. Ernest Renan, historiador e filólogo francês do século XIX, em sua magnífica obra A Vida de Jesus, afirma: “Desde que o homem se diferenciou do animal, tornou-se religioso, ou seja, ele percebeu que na natureza havia algo além da realidade e, em si mesmo, algo que estava além da morte”. Por isso, o ser humano sempre buscou respostas sobre a origem das coisas e quis saber a respeito de quem teria sido o supremo arquiteto dos céus, dos montes, das matas e dos mares. A Doutrina Espírita oferece seguras respostas a essas questões.


O que é Deus

Os Espíritos superiores ensinam que Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Criou tudo o que há no Universo. É o único princípio não criado, tendo existido de todo o sempre. As leis da Física demonstram que um determinado efeito nunca pode ser anterior à causa. A Criação é um “efeito”, cuja causa permanece desconhecida da ciência humana. Mas pode-se concluir que ela é conseqüência da ação de um princípio lógico e inteligente, que se encadeia e mostra-se por toda parte. É o alicerce do conhecimento exato. Ora, se o efeito é inteligente, a causa deve ser inteligente, o que leva à conclusão que o responsável pela origem do Universo, seja quem for, deve obrigatoriamente ser inteligente e superior a tudo. A essa causa primeira, denominou-se “Deus”. Pode-se conceber e conhecer a Deus, observando e estudando suas obras.

"Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, observando a previdência, a sabedoria e a harmonia que presidem todas as coisas, reconhecemos que nenhuma há que não ultrapasse o mais alto alcance da inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são o produto de uma inteligência superior à humanidade, a não ser que admitamos haver efeito sem causa" - (Allan Kardec - A Gênese, cap. II, item 5). 


Atributos da Divindade

Durante muito tempo o homem definiu o Criador do Universo como se fosse à sua imagem e semelhança, dando-lhe uma aparência humana, bem como suas próprias imperfeições. Moldou para si um Deus colérico, vingativo e ciumento. Com a evolução do pensamento humano, esta figura alegórica foi aos poucos de modificando. A Doutrina Espírita ensina que a Divindade possui atributos próprios de sua natureza suprema. Deus não se mostra às criaturas humanas, mas se apresenta mediante suas obras. No grau evolutivo em que se encontra, não é dado ao ser humano compreender toda a magnitude da natureza íntima de Deus, mas é possível deduzir alguns de seus atributos.

Pode-se afirmar que:

Deus é eterno: Não teve começo e não terá fim. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. O nada, não existe. Deus é o ser absoluto e eterno. É a própria eternidade.

Deus é imutável: Se fosse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não seriam estáveis. Um princípio material que hoje existe, amanhã poderia deixar de existir. A imutabilidade de Deus proporciona estabilidade às leis físicas e morais.

Deus é imaterial: A natureza de Deus difere de tudo o que se denomina matéria ou energia. Qualquer semelhança com esses princípios faria o Criador perder a imutabilidade, lançando sua obra na instabilidade e todas as leis naturais estariam sujeitas a transformações.

Deus é único: Se existissem diversos deuses, não haveria unidade de vistas, nem de poder na organização do Universo. Um outro Deus teria que ser igualmente infinito em todas as coisas. Caso contrário, nem um nem outro teria a soberana autoridade. Os povos antigos, por ignorância, acreditavam na existência de outras divindades, associando-as com alguns componentes da natureza: tempestades, montanhas, mares, matas e astros.

Deus é todo poderoso: Se o Criador não tivesse o poder soberano, haveria algo mais poderoso ou tão poderoso quanto Ele, que assim deixaria de ter a autoridade suprema sobre o Universo. As obras que Ele não tivesse feito seriam obrigatoriamente feitas por outro deus. Portanto Deus é todo poderoso porque é único.

Deus é soberanamente justo e bom: A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas que cercam o ser humano. E esta sabedoria não permite que se duvide da justiça ou bondade de Deus.

Deus é absolutamente perfeito: Conceber Deus sem a perfeição absoluta seria admitir que algum princípio moral ou material, criado por Ele, poderia estar marcado pela imperfeição. Tal idéia levaria à ruína todos os outros atributos do Criador, lançando o Universo na instabilidade e no caos.

"Deus é, pois, a suprema e soberana inteligência; é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, absoluto em todas as suas perfeições, e não pode deixar de ser assim. Tal é o eixo sobre o qual repousa todo o edifício universal. É o farol do qual os raios se estendem sobre o Universo inteiro, o único que pode guiar o homem em sua pesquisa da verdade. Ao segui-lo, não se extraviará nunca; e se tem se desencaminhado com tanta freqüência, é por não ter seguido o caminho que lhe é indicado" - (Allan Kardec - A Gênese, Capítulo II, item 19).

Ao acreditar na existência de um Pai dotado de absoluta perfeição, que criou o Universo e o mundo terreno, concedendo oportunidades de vida e progresso, seria lógico e racional que o homem se esforçasse para compreender a razão da própria existência e o desejo dessa Divindade. A Doutrina Espírita vem ajuda-lo nessa tarefa. De maneira inteligente e isenta de mistérios, fala ao coração, mas, sobretudo à inteligência. Mostra aos filhos de Deus, a razão da vida, do sofrimento, das injustiças e da felicidade que os aguarda na vida futura.

As religiões deveriam ter esse propósito: ensinar os homens a compreender sua natureza espiritual, libertando-os do excessivo apego aos interesses materiais. Mas, elas foram desvirtuadas pelas imperfeições do espírito terreno e terminaram como instituições voltadas apenas para os interesses relacionados com a vida imediata. A idéia que atualmente se tem de Deus não poderia deixar de ser influenciada por esta concepção niilista, de que a existência se resume apenas entre o nascer e o morrer. Este é o grande engano da humanidade.


ESPÍRITO

O Espírito é o princípio inteligente da Criação. Está presente em todos os elementos vivos. É criado simples e ignorante, semelhante a um livro com páginas brancas, onde escreve sua história. Como todas as coisas, está sujeito à Lei do Progresso. Nas fases primitivas, não pensa; move-se por sensações. Mais tarde é dirigido pelo instinto; depois, pela inteligência; e, por fim, chega à razão e à angelitude. Habita o Universo em variados estágios de desenvolvimento e diversas categorias de mundos. No começo, não têm consciência do bem e do mal, mas é dotado de aptidões para adquirir conhecimento intelectual e moral, através das reencarnações. Nas primeiras experiências, o Espírito é como uma criança, sem vontade própria. Depois, vai se tornando livre através das vidas sucessivas. Não é divisível, nem têm sexo. Não é palpável, embora não seja o nada, pois o nada não existe. Quando encarnado, o Espírito recebe a definição de “alma”. Desencarnado, à espera de uma nova encarnação, diz-se que está “errante”. Apenas os Espíritos puros não são errantes, pois não necessitam mais reencarnar. Embora continue a progredir na dimensão espiritual, o Espírito precisa da vida material para desenvolver suas potencialidades, sofrendo provas e expiações. No mundo invisível fazem reflexões em torno de suas boas e más obras. Aprendem com Espíritos mais adiantados, mas terão obrigatoriamente de passar por novas vidas, para avaliar seus conhecimentos.

"O Espírito progride igualmente na erraticidade. Nela adquire conhecimentos especiais que não poderia adquirir na Terra. Suas idéias então se modificam. O estado corpóreo e o estado espiritual são para ele as fontes de duas formas de progresso que se desenvolvem solidárias. É por isso que ele passa alternativamente por esses dois modos de existência" - (Allan Kardec - O Céu e O Inferno, cap. III: item 10).


Natureza dos Espíritos

Dizemos que os Espíritos são imateriais porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos como matéria. Nas regiões espirituais próximas da Terra, exprimem-se com a forma humana. Nos planos espirituais mais elevados se apresentam como uma chama, centelha ou clarão. A linguagem humana é limitada para exprimir a verdadeira essência do Espírito. Não se deve defini-lo como sendo imaterial. A expressão correta para se referir aos Espíritos, quanto à sua natureza, é dizer que são “incorpóreos”. Os Espíritos foram criados por Deus. São, pois, constituídos de alguma coisa. Como e quando foram criados, constitui-se em mistérios ainda não revelados. Existem algumas teorias que tentam explicar a origem dos Espíritos, mas por falta de referenciais às idéias abstratas, não o fazem com clareza. Qual seria o destino final do Espírito, depois de concluída sua evolução, alcançando a condição de Espíritos puros? Esta pergunta foi feita por Allan Kardec ao Espírito de Verdade, que deu a seguinte resposta:

"Há muitas coisas que não compreendeis, porque a vossa inteligência é limitada; mas isso  não é razão para as repelirdes. O filho não compreende tudo o que o pai compreende, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende. Nós te dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim; é tudo quanto podemos dizer, por enquanto" - (O Livro dos Espíritos, questão 83).


Matéria

A matéria é uma das variações do elemento básico primitivo chamado “fluido universal”, criado por Deus, para moldar o Universo. Pode-se afirmar que a matéria, conforme a conhecemos, é a manifestação mais grosseira desse fluido. Ela existe em diversos estados na natureza, variando infinitamente da ponderabilidade à imponderabilidade. Não se pode defini-la apenas como aquilo que tem extensão, impenetrabilidade e que impressiona os sentidos físicos, como afirma a Ciência. A matéria também pode existir numa condição tão etérea e sutil, a ponto de não ser percebida pelos instrumentos humanos ou pelos sentidos convencionais. A matéria é o meio através do qual os Espíritos desenvolvem suas potencialidades e manifestam suas obras. É o agente, o intermediário, com a ajuda da qual e sobre a qual o Espírito atua.


Universo

O Universo abrange a infinidade de mundos que vemos e que não vemos, o espaço que há por toda parte, os seres animados e inanimados, os astros, assim como os fluidos e as energias da natureza. Com o progresso da Ciência e a descoberta de certas leis e princípios, muitos mistérios quanto à origem do mundo e do Universo foram explicados. Ficou demonstrado, por exemplo, que a Criação não se resumia na região circunvizinha à Terra, como a princípio se pensava. Havia, no espaço distante, muito mais. Planetas, cometas, estrelas, nebulosas e galáxias, formavam um majestoso conjunto a que se chamou Universo. A humanidade progride no campo científico, facilitando a evolução do homem e da própria sociedade. Aos poucos, os véus dos mistérios vão sendo levantados e a criatura humana vai se conscientizando do quanto é insignificante, diante da obra do Criador. A Ciência explica que o Universo é formado por dois elementos básicos: matéria e energia. A matéria é uma forma condensada da energia, conforme demonstram as experiências atômicas. Os Espíritos, no entanto, revelaram que a Criação na verdade se assenta em três princípios fundamentais: Deus, Espírito e Matéria. A matéria e a energia seriam variedades da manifestação do Fluido Universal.


Mundos

Os mundos são formados pela condensação da matéria disseminada no espaço. São as estrelas, os planetas, os satélites, os asteróides, os cometas, as galáxias e as nebulosas. Jesus Cristo, referindo-se à pluralidade dos mundos habitados, afirmou:

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar" - (João, 14:2).

De modo geral, os mundos habitados podem ser classificados em cinco categorias distintas: Mundos Primitivos, Mundos de Expiação e Provas, Mundo Regeneradores, Mundos Felizes e Mundos Divinos.

Mundos Primitivos

Ambientes nos quais os Espíritos realizam suas primeiras experiências encarnatórias. No passado, a Terra já esteve neste estágio de aprendizado, nos períodos pré-históricos.

Mundos de Expiação e Provas

Orbes que se destinam a Espíritos mais adiantados, porém, que resgatam dívidas contraídas diante da Lei Divina. Nesses mundos, eles passam por provas, destinadas ao aperfeiçoamento moral e intelectual. O mundo terreno atualmente está nesta categoria. Devido ao pouco adiantamento moral dos povos, o mal e o sofrimento ainda predominam nesse tipo de sociedade.

Mundos Regeneradores

Planetas onde não há mais expiações na vida dos Espíritos. No entanto, ainda existem provas, pelas quais têm que passar para adiantarem-se. São os mundos de transição entre os de Expiação e Provas e os Felizes.

Mundos Felizes

Ambientes onde predominam o bem e a justiça na vida social. Nessas sociedades não há injustiças de nenhuma natureza. Os povos são fraternos uns com os outros, ajudando-se reciprocamente. Os Espíritos desenvolvem sua capacidade de viver em comunidades que se amparam mutuamente, orientadas pelas Leis Divinas.

Mundos Divinos

Mundos onde reinam absolutamente o bem e a justiça, sem qualquer mistura com o mal. Constituem-se em moradas de Espíritos superiores e da felicidade dos eleitos. São as grandes civilizações do Universo, que atingiram o apogeu do desenvolvimento intelectual e moral.


SERES VIVOS

Os seres vivos são produto da união do Espírito com a matéria. É por meio da vontade de Deus que esta junção é possível, dando origem à vida. Os Espíritos iniciam suas encarnações no Reino Mineral. O corpo material dos elementos vivos é formado por agrupamentos orgânicos chamados células. Por sua vez, elas são resultado da união de grupos moleculares e átomos, animados pelo Fluido Vital. Toda essa complexa organização é dirigida pelo princípio inteligente chamado “Espírito”.


Reino Vegetal

O Reino Vegetal é composto de variadas espécies de plantas. As formas espirituais primitivas, que apareceram no Reino Mineral, sofrem aperfeiçoamento. Desenvolvem sensações que lhes proporcionam contatos mais amplos com o ambiente exterior. De modo geral, pode-se dizer que a vida no Reino Vegetal é caracterizada pela fotossíntese, um processo o qual as células, utilizando a energia solar, promovem a síntese da matéria orgânica para sua sobrevivência.


Reino Animal

O Reino Animal agrupa os seres animados, constituídos por organizações celulares de maior complexidade. Fazem parte deste reino os insetos, os peixes, as aves, os animais irracionais e o homem. A alimentação e o sistema nervoso dessas espécies são bem mais desenvolvidos do que os habitantes dos outros reinos. A espécie humana é a mais adiantada dentre os seus componentes e abriga o Espírito humano.


TRINDADE UNIVERSAL

A matéria, a energia e os fluidos são na verdade, variantes de um mesmo elemento básico chamado Fluido Universal. É o Princípio Material. Os Espíritos animam a matéria, em variados estágios evolutivos. A união desses dois princípios dá origem à vida. É o Princípio Inteligente. Acima de ambos, está o criador, causa primária de todas as coisas: Deus. Juntos, formam a Trindade Universal: Deus, Espírito e Matéria.

Grupo Espírita Bezerra de Menezes
São José do Rio Preto – SP


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